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segunda-feira, 22 de outubro de 2007

o último dia

Estavam no alto da colina. O céu escurecendo. Ouviam, cada vez mais, nesses últimos tempos, histórias sobre as previsões de nostradamus, videntes enviando cartas com registros aterrorizantes de suas visões aos líderes mundiais, profetas nas ruas levantando placas com prenúncios do apocalipse... Nunca a bíblia foi tão vendida, nem teve tantas interpretações como agora. Mundo e caos agora eram um só.

- Há quanto tempo estamos aqui? – ele perguntou.
- Não sei... Meu relógio parou de funcionar e o celular também não funciona. – ela respondeu.
- Quer um cigarro?
- Não, obrigada. Eu não fumo.
- E por que não tentar agora? Daqui a pouco vai tudo acabar mesmo! Um trago cai bem nessas horas.
- Como você sabe? Já passou por isso antes?
- Não exatamente. Sempre fui um fumante moderado, mas sabe aquelas horas em que o mundo parece ter acabado pra você? Aqueles dias que não deveriam ter começado? Então, era aí que eu fumava feito louco. Acabei viciando.
- Ah..
- Também já passei por isso, mas sempre busquei o álcool como solução.
- Entendo.

O vento soprava forte e todas as nuvens do universo pareciam ter migrado para lá, ajudando a escurecer o cenário daquela, provável, última tarde dos dois. Trovões eram ouvidos ao longe... O que se anunciava, definitivamente, não era bom.

- Será que falta pouco?
- Já falei que meu relógio quebrou.
- Ah é!
- Quê que tá passando na sua cabeça agora? – perguntou o rapaz.
- Nem sei... Tanta coisa.
- O que te fez vir aqui, nesse final, ficar comigo, não tinha mais para onde ir?
- Eu não tenho mais família. Você é a única pessoa que eu posso dizer que conheço. E você, por que está aqui comigo?
- É cedo demais para admitir isso, afinal, só saímos algumas poucas vezes, mas acho que gosto de você.

A tempestade agora estava mais perto do que nunca, era como se a noite invadisse o dia de maneira abrupta. A paisagem agora parecia algo próximo da mais pura eletricidade misturada a energia caótica, pronta para acabar com a existência.

- Eu estou com medo. Não queria admitir, mas não queria que acabasse assim.

Ele a abraçou da maneira mais carinhosa que podia, visto que seu próprio nervosismo estava transparecendo.

- Você acredita em céu, paraíso, vida após a morte, coisas desse tipo?
- Não sei, mas pensar na possibilidade de encontrar as pessoas que amamos em um outro mundo, me conforta.
- Se eu disser uma coisa, promete que não vai rir de mim?
- Sim, claro.
- Por sua causa eu não estou mais com medo.

Foi ali, naquele momento em que tudo fica devagar; que um segundo parece um século, assim como quando seus movimentos se tornam incontroláveis e que nada mais pode ser escutado. A ameaça de tempestade se dissipou, pois nada mais havia.
Se houvesse alguém para chamar o nada de algo, certamente, daria o nome de “o fim”.

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P.S: Esse texto foi escrito em conjunto por mim e pelo Richard do chá laranja. Continuem enviando idéias para dcamargo86@gmail.com.

Abraços!

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

os dias (parte 4)

Noite de sexta – feira. Um bar, movimentado e fervendo de gente jovem, da lapa. Três amigos. Muitos chopes e rodadas de aperitivos depois da meia-noite. Em outra mesa, três amigas. Talvez a mesma quantidade de chopes e aperitivos. Uma das amigas não tira o olho de um dos amigos. O mais tímido e quieto dos três. O mais extrovertido vira-se para o tímido e diz:
- Ih! Cara! Olha só! Aquela gatinha ali! Te dando mole!!!
- Que? - não entende o tímido.
- Ali cara! Dá uma olhada naquela mesa. Aquela com três garotas... Viu? Então! Aquela ali ó! - aponta o extrovertido.
- Ah! Ela de repente olhou lá pra fora... - tenta desconversar o tímido.
- Não rapaz! Ela tá olhando toda hora pra você! Eu tô sacando!
- Esquece isso cara! Não quero arrumar problema por causa de mulher.
- És um pamonha mesmo, hein?!
Duas da manhã. O bar estava praticamente vazio, mas os amigos ainda estavam lá. E as amigas também.
- Agora você não pode dizer que ela tá só admirando a paisagem! Nem olhando pra outra pessoa! O bar tá vazio.
- É... Realmente.
- Não te falei?! Aí! Aposto cinquentinha como tu não tem coragem de falar com ela. – tinham o costume de sempre fazer apostas quando saíam.O tímido, ou corria ou perdia.
- Eu dobro! - aumentou o outro amigo.
- Cês tão brincando! - disse o tímido.
- Brincando nada! Vai lá! Quero ver! E tem outra... Se tu conseguir algo mais, já não vai precisar gastar do teu. Aqui... Cem reais pra terminar qualquer noite em alto estilo.
- Ah é?! – aumentou o tom o amigo tímido.
- Pois eu vou! Vou esperar só as outras amigas dela saírem de perto e eu chego junto!
- Eu duvido – falou o outro amigo
- E eu mais ainda – completou o extrovertido.
- É agora! – respondeu decididamente o tímido.

A garota, percebendo a timidez do rapaz, pediu às amigas que se afastassem. Elas levantaram-se e foram até o banheiro. Ele chegou pouco tempo depois.

- Oi.
- Oi. – respondeu a garota.
- É... Tudo bem?
- Tudo sim! E você?!
- Eu tô bem. – Totalmente sem jeito com a situação, responde o tímido.
- Senta. – pediu a garota
- E aí?!
- E aí o que?
- E aí... Você veio aqui pra...
- Ah! É que... Que... Eu percebi que você tava olhando pra mim
- Ah! Que bom que você reparou. Sinal de que não passo despercebida na multidão.
- É. – respondeu sem jeito o amigo. Afinal, ela não podia saber que foi o amigo dele que a notou.
- Mas e aí?! Só veio aqui pra dizer isso? Que me notou olhando pra você?
- Não, não... É... Você... Tem namorado?
- Terminei semana passada, ou melhor, ele terminou. É difícil a gente encontrar alguém realmente legal hoje em dia, sabe? Dois anos de namoro... Disse que cansou. Fazer o que? Até gosto dele, mas não vou ficar correndo atrás de homem né?
- É. – O tímido não tinha aonde enfiar a cara. Na verdade, não sabe nem como foi parar ali. O efeito dos chopes estava se dissipando. Era um tímido crônico. desde criança, sempre sofreu por isso.
- Você só fala “é”? Você é tímido?
- Não, não é isso. É que...
- Adoro caras tímidos, sabia?
- É?
- É sim! As mulheres gostam de caras assim... Eu acho.
- Ah... Isso é bom. Sinal de que eu ainda tenho chance de casar e ter família, né? – o tímido comentou, rindo depois da própria frase.
- Tem sim! Ainda mais bonitinho desse jeito. – ela resolveu partir pro ataque.
- Bonitinho é um feio arrumadinho... – começou o tímido a se soltar.
- Tá bom! Gatinho, bonito. Um pitel, como minha avó dizia.
- Que nada... Você que é a parte bonita de nós dois. – ele começou a gostar do papo.
- Ah! Você é um fofo. – derreteu-se a garota.
As amigas iam voltando à mesa quando viram os dois conversando em um tom animado. Decidiram sentar-se com o grupo dos amigos e assistir a cena de camarote.
- Mas então...
- Então o que?
- Vamos terminar a noite aqui? Nesse bar? Com nossos amigos de platéia?
- Não, não. Pra onde quer ir?
- Não sei... Quer dizer, na verdade sei, mas você tem que fazer o convite.
- É... Pra casa?
- Hum... Deixa eu ver... Pra casa? É, pra casa, mas não necessariamente pra dormir. Muito menos sozinha.
- Ah, entendi! Você não perde tempo né?
- É, acho que não. Assustado comigo?
- Não, não é isso...
- Ah bom!
- E aí? Tá pronta? – perguntou o tímido.
- Pra sua ou pra minha?
Passaram pela mesa onde estavam os amigos e as amigas, despediram-se de todos e partiram em direção ao apartamento dele.
Uma bela noite de amor depois, já pela manhã, ele acordou e percebeu que ela não estava mais ao seu lado. Embaixo do abajur um bilhete. Letra de mulher - pensou. Ela havia deixado o bilhete antes de sair, que dizia:

“Amei ter te conhecido! Desculpe ter saído assim, é que, por mais que não pareça, eu também sou tímida. Fiz uma aposta com as minhas amigas de que sairia com alguém ontem e acabei tendo a sorte de te encontrar. Me liga! Quero te ver mais vezes. Beijos.”

Depois disso, nunca mais fugiu de uma aposta.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

os dias (parte 3)

- Tu tá brincando?
- Claro que não rapaz! Vê lá se eu sou homem de brincar com uma coisa dessas!
- Quarta as nove né?
- Isso!
- Ainda não tô acreditando.
- Tô falando sério! Só aparecer.
- Sabe que a gente nunca fez isso junto, pepê.
- Eu sei, eu sei, mas sempre é tempo de mudar cara!
- Isso é.
- Então?!
- Vou ver, vou ver...
- Ah! Desisto! Se quiser vir, venha!
- Tchau!
- Tchau...

E lá se foi, na quarta-feira, o Nunes para a casa do Peçanha, o pepê. Velhos amigos. Estudaram juntos, se formaram juntos, casaram juntos, com duas irmãs gêmeas, trabalhavam juntos... Havia poucas coisas nessa vida que ainda não tinham feito juntos e uma delas era assistir flamengo e vasco pelo campeonato brasileiro. O Nunes era flamenguista roxo, já o Peçanha era vascaíno doente. Amigos de longa data, mas quando o assunto era futebol...

- FALTA! Grita o pepê.
- Falta nada pepê! Esse teu jogador que não é de nada. Olha lá, se jogou na cara-de-pau!
- ESSE JUÍZ É UM LADRÃO! Teu cartola comprou ele não foi não? Tanta coisa se vende por tão pouco no país que eu não estranharia.
- Deixa de coisa e vamos voltar ao jogo!
- humpf – retruca pepê.

O jogo foi para o intervalo, o tempo de voltarem a discutir:

- Aquele gol devia ser anulado! – comenta o Nunes.
- Claro, teu time tá perdendo.
- O mau perdedor aqui é você. Chorou por causa de uma falta, que não aconteceu!
- Como não aconteceu? Foi na cara do juiz, na cara-de-pau do juiz!
- Esse negócio de futebol com a gente não dá certo! – comentou Peçanha.

Enquanto isso, as irmãs estavam na cozinha conversando assuntos estritamente femininos, desde detalhes tórridos do casamento, até a possibilidade de se ter mais uma mulher como presidente de um país. Estavam entretidas no papo até se assustarem com os berros:

- GOOOOL! – O vasco tinha empatado.
- Esse gol devia ser anulado.
- Por quê?
- Porque sim... É... A bola, tinham duas bolas em campo.
- Deixa de conversa homem... Não sabe perder, bebe leite.
- humpf, retrucou o Nunes.

Falta pouco para o final do jogo e da garrafa de cerveja, pouco para a noite acabar e menos ainda para os dois velhos companheiros perderem as estribeiras por causa da partida.

- ESSE JUÍZ DE NOVO?! NÃO ACREDITO! – indigna-se o pepê.
- LADRÃO! – indigna-se, também o Nunes.

Parte da luz do estádio havia acabado e o juiz encerrado a partida.

- Acabar o jogo por causa de um escurinho à toa? Teu time é covarde pepê!
- O meu? Cê tá brincando! Olha lá o seu correndo pra ir embora! Bando de borra-botas!

O jogo terminou empatado. Nunes levantou-se do sofá e partiu em direção a cozinha para avisar a mulher que já estavam indo embora. As irmãs despediram-se com um longo abraço, já os amigos...

- Se o juiz não fosse tão ladrão eu te vencia. – provoca o Peçanha.
- Teu time que afinou meu chapa! O meu time te ganhava com o pé nas costas – respondeu o Nunes.
- Ah é? Então vamos ver!
- Vamos ver então!

As mulheres, vendo aonde a discussão certamente pararia, tiveram uma idéia.

- Já sei! - Disse a mulher do nunes! Já sei como vocês podem ver qual o melhor time!
- Como? - perguntaram em uníssono.
- Vocês vão ver...

No dia seguinte, a mulher chega em casa com uma caixa de tamanho médio, toda embrulhada.

- Que que é isso, mulher? - perguntou o nunes.
- você vai ver.

Ela pega no telefone e liga para sua irmã convidando a ela e ao marido para um jantar em sua casa.
Pouco tempo depois os dois chegam e feita a refeição, partem para a sala afim de descobrir o que tinha na caixa.

- Agora pode abrir - disse a mulher do nunes.

Era um videogame. Desse dia em diante, nunca mais viram juntos o flamengo e vasco.

domingo, 9 de setembro de 2007

leve

Leve o dia, leve estar.
Que a leveza me leve além do mar.
Leve o sopro, leve sensação.
Leve a alegria, leve o coração.

Leve estado, leve espírito.
Leve o agora, leve o infinito.
Leve a noite a chuva fina.
Leve o dia como um menino.

Leve andar, leve caminhar.
Leve meu olhar por entre o seu.
Leve o amor que não morreu.

Que a leveza me leve além do mar.
Leve o sopro do amor que não morreu.
Leve para sempre, leve como eu.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

os dias (parte 2)

Tinha tudo para ser uma segunda-feira normal. Demorou a abrir os olhos; acordou preguiçoso; levantou-se com uma vontade incontrolável de voltar a se deitar e deu início ao ritual de todas as manhãs. Coisas que todo mundo segue quando se tem uma rotina. Era um homem sistemático.
Tomou seu banho, se arrumou, rapidamente tomou seu café e em menos tempo ainda já estava na garagem levando o carro em direção a rua. Buzinou duas vezes apressando sua mulher. Mulheres... Sempre demoram, sempre se atrasam e nunca estão satisfeitas, pensou consigo mesmo.
O percurso para o trabalho era curto, mas preferia fazê-lo de carro. Amava dirigir, amava velocidade. Odiava o trânsito, odiava esperar! Fosse o que fosse, carros na sua frente, idosas atravessando a rua, respostas, sua mulher pela manhã, odiava até o fato de esperar o sono chegar para dormir.
Deixou a esposa no trabalho. Ela falou qualquer coisa que ele não ouviu, lhe deu um beijo, desceu do carro calmamente (ele odiava isso também) e seguiu em frente.
Chegou ao seu trabalho, falava com as mesmas pessoas de sempre, os mesmos assuntos de sempre, os mesmos rostos de sempre. Era um homem sistemático. Sentou-se em seu lugar, ligou o computador, fingindo que não dava atenção à demora da máquina em ligar, e começou a trabalhar.
Horas depois toca o telefone de sua mesa, é sua mulher lhe convidando para almoçar. Ele argumenta que hoje é segunda-feira e que não se sente inspirado para nada num dia como esse. Depois de muito insistir ele cede e acaba indo. O mesmo restaurante em que ele a conheceu. O primeiro encontro, o primeiro beijo... Não! O beijo não foi lá. Aonde foi mesmo o primeiro beijo? Não se lembrou, mas também não se importou. "Hoje é segunda-feira!", lembrou, "e nada importa hoje".
Encaminhou-se a mesa onde estava sua mulher. Era a mesma mesa em que eles tinham estado no primeiro encontro. Era um casal sistemático. Depois de ter pedido o mesmo que ela, perguntou-a o porquê desse almoço em plena segunda, completamente fora de suas rotinas; no que ela respondeu de bate - pronto que estava grávida. Ele suou. g-r-á-v-i-d-a! Ela enfatizou. Ele tremeu. Já estava quase rasgando a toalha da mesa de tanta emoção quando ela disse que, segundo o médico, havia dois meses somente.
Sete meses de espera, calculou. Pagou a conta e retornou ao trabalho. Odiava esperar.

terça-feira, 24 de julho de 2007

os dias

"A terça-feira, naturalmente, é um dia esquisito, pelo menos pra mim. Não está nem para a segunda, nem para o fim de semana. Quem odeia as segundas-feiras deve rever os conceitos e incluir nessa lista as terças também. Esses dois dias deveriam ser retirados do calendário. Imagina a semana começando já na quarta-feira! Não que a quarta seja lá grandes coisas, mas já seria um avanço. Pensa só, três dias úteis apenas por semana! Seria perfeito! Imagina aquelas reuniões chatérrimas do início da semana (leia-se os dois primeiros dias dela), não acontecendo, por não haver mais esses dias! Seria mais do que simplesmente abolir do calendário 2 dias, seria um importante auxílio na sua sanidade mental. O único problema seriam os feriadões prolongados, eles raramente existiriam. 2 dias a menos na semana fariam toda a diferença nesses casos. Mas as vantagens são inúmeras! Pensa só.

Agora deixa eu correr porque eu tenho reunião, (uma daquelas chatérrimas de início da semana que eu falei) sabe como é, enquanto não adotam essa idéia a gente se vira como pode."

Enviou a mensagem aos amigos do trabalho e partiu para a reunião. Era só mais uma terça - feira na sua vida.

sábado, 7 de julho de 2007

as crônicas de um homem só (final)

pecados capitais, as vidas dos gatos, os infernos de dante, as maravilhas do mundo... algo une todos esses itens: 7.
Considerado o número cabalístico perfeito, pode possuir inúmeras interpretações e relevâncias, mas para mim essas 7 semanas, que se passaram tão rapidamente, farão, certamente, um alguém mais saudoso. Já sinto falta dos rostos, dos gostos, dos cheiros e das curvas pelas quais eu percorri.
Não estou de todo triste, porque sei que minhas memórias permanecerão vivas e que a qualquer momento, poderei refazê-las... talvez melhor! talvez pior, quem sabe com um alguém! deixaria de ser só um, deixaria de ser um só...
A paisagem passa devagar enquanto faço o trajeto de volta para casa. As poucas coisas que ainda me prendem à realidade monótona, pacata e normal que o mundo impõe me vêm a mente; me dou conta de que, até nas mesmices diárias, podemos viver intensamente.
Sou entusiasta do nomadismo, já disse antes, porém vou viver por certo tempo - até onde aguentar - no meu ponto de partida.
Replantarei uma raíz que há muito deixou de ser forte por motivos que sinceramente desconheço. Talvez, a gente se encontre por aqui, celebre como nunca nossas razões de existir, percorra o passado e o futuro em uma única viagem... sem fim...



OFF - TOPIC

gostaria de agradecer aos meus poucos, porém fiéis, leitores, que acompanharam a série de crônicas... por inteiro ou não, saber que curtiram o que leram já me é o bastante.

abraços!

domingo, 1 de julho de 2007

as crônicas de um homem só (parte 6)

A cabeça pesa. Os olhos demoram a abrir. Um certo enjôo. Um cheiro peculiar... cheiro de perfume feminino. Olho para os lados... quem são essas 2!? não importa. O álcool subiu demais a cabeça e me deixou assim.
Me levanto e deixo as 2 belas mulheres dormindo um sono profundo, certamente efeito da noite passada; aos poucos, lampejos de memória me são revelados mostrando em flashes, o que ocorreu ontem, ocorrido este que eu não pretendo esmiuçar aqui, por não vir ao caso.
Enquanto tomo café no restaurante do hotel, já refeito das consequencias trazidas pelo excesso de álcool, começo a refletir sobre o que aconteceu-me ontem à noite.
As pessoas, de um modo em geral, não se contentam com pouco, ou melhor, com a quantidade ideal, a dose certa, o equilíbrio, todos sempre buscam mais e mais, e nessa busca desenfreada acabam se excedendo e, com isso, o erro, o arrependimento, a frustração...
Não que eu seja uma pessoa conformada que tem seu destino como um livro já escrito e sacramentado, cujo texto não pode ser mudado sob hipótese alguma, nem acho que seja assim pra ninguém, só penso que antes de pensar em correr obstinadamente atrás de um objetivo, de uma meta, os prós e contras devem ser medidos. Só assim esses excessos, assim como a possibilidade de fracasso, praticamente deixam de existir, já que todo um plano já foi traçado.
Vejo um sem número de gente deixando tudo de lado em busca de ideais inócuos, em busca do que se quer sem medir esforços, deixado de lado aquele que deve ser o maior de todos os nossos objetivos... viver.
Minha última manhã aqui termina com um mergulho na piscina seguido de um bom charuto e uma taça de champagne. Hora de seguir...


OFF - TOPIC UPDATE

em um desses testes que rolam por ai, descobri um que fala o quanto você é viciado em 'blogar'. Segue meu resultado:

56%How Addicted to Blogging Are You?

esperava mais...

domingo, 24 de junho de 2007

as crônicas de um homem só (parte 5)

peço para que me deixe na porta do hotel. Pago a corrida sem me preocupar com troco. Logo um carregador me ajuda com a bagagem. Adentro o hall. Um salão amplo, com uma grande escada que leva a 2 corredores laterais de frente para a porta de entrada, a decoração extravagante, mistura desde de réplicas de esculturas e pinturas famosas a simples vasos de plantas, as quais estão sendo regadas pelo servente.
Na recepção, sou atendido por uma jovem bonita, um tanto quanto maquiada demais, que mantém um belo sorriso e uma impressionante presteza por todo meu atendimento. Informo da minha reserva, dou meu nome e após algumas checagens, tudo certo, pego as chaves e subo para a minha suíte. Nada de muito luxuoso, mas confortável o bastante para se ficar por aqui durante 1 semana.
A noite já se aproxima e decido me aprontar para aproveitar o que essa cidade tem a me oferecer, mas enquanto o faço, me lembro da recepcionista. Não que eu tenha me apaixonado ou esteja tendo pensamentos pecaminosos, antes que sua mente poluída imagine isso, penso no que há de real por trás daquele sorriso e daquela cordialidade exagerada com a qual me atendera. Penso se seria tudo dela mesma ou se seria uma imposição do chefe, misturado ao medo de perder o emprego, trazendo, então, naquele simples gesto, um misto de obrigação e beleza.
O que mais me incomoda é saber que muitos fingem, bem ou não, como foi com a recepcionista; escondem a realidade por vontade do mundo, fecham as cortinas e se enclausuram nas trevas da mentira. Tudo por uma razão que julgam ser maior, cujo esforço em se passar uma imagem que não condiz com o momento, julgam valer a pena... ledo engano.
As rédeas da vida, principalmente das nossas próprias, não podem ser comandadas por uma força, por ordens; nascemos livres e dotados de inteligência o bastante para tomar conta de nosso próprio tempo. Devemos ser donos de nós mesmos e, por mais ordens que tenhamos que receber, por mais sorrisos falsos que tenhamos que dar, não devemos submetermo-nos nunca ao que nossos ideais não se enquadram, mesmo que percamos excelentes oportunidades, sejam elas em qualquer aspecto, nossos valores devem ser postos a frente de tudo e de todos.
O espelho me diz que já estou pronto. Pego meu sobretudo, agora só quero me embalar nos braços de nix.

domingo, 17 de junho de 2007

as crônicas de um homem só (parte 4)

dizem que há uma tênue linha entre o amor e o ódio... eu diria até mais... diria que esses sentimentos caminham juntos, de mãos dadas; Só que em determinada parte do trajeto decidiram andar por lados diferentes, mas mesmo assim não se desgrudam e um não vive sem o outro.
Gosto desse equilíbrio. Esse antagonismo presente em nossas vidas é bom e se faz necessário em certas vezes. pode-se até sofrer, como é o caso dessa garota que chora copiosamente, nessa fria mesa de praça de almentação, ao lado do que me parece ser seu, agora, ex-namorado ou ex seja lá o que for. E por que faz bem?
Porque faz pensar... porque nos deixa em contato com sentimentos, traz o mais profundo à tona, por nos deixar dúvidas, por dar a oportunidade de conhecermo-nos, por nos tornar mais maduros...
afinal, o que não mata, fortalece.
Creio que essa introspecção deveria sempre fazer parte de nossas cada vez mais corridas vidas, mas infelizmente não é assim. Há sempre mais coisas importantes com as quais se preocupar do que com nós mesmos.
Não que eu me alimente da infelicidade alheia, de maneira alguma, somente vejo além do transbordo de lágrimas, vejo além do sofrimento; sei que daqui há algum tempo essa mesma garota que agora chora pela perda, vai rir do que aconteceu e vai agradecer a dor por lhe proporcionar momentos como esse.
Enquanto se levantam e partem para a saída, sorrio, pensando no futuro de ambos. Termino minha bebida com um grande gole, lanço meu olhar de volta a multidão, nada que interesse, levanto-me e sigo em direção ao estacionamento. É chegada a hora de partir mais uma vez.


OFF - TOPIC
hoje, um texto meu será postado no blog das meninas do menáge à trois. Segue o link pro post aqui . Espero que gostem...

abraços!

domingo, 10 de junho de 2007

crônicas de um homem só (parte 3)

gosto da sensação de liberdade. Essa brisa noturna que corta meu rosto e esvoaça meus cabelos, me traz boas sensações. Sabia que seria uma excelente idéia reservar umas economias para comprar esse conversível. Sabia que ele me faria sentir assim. Livre.
Poucos quilômetros me separam da cidade e, a cada metro ganho pela potência do motor do carro, sinto o coração palpitar. Toda vez é assim. A cada cidade, novas emoções e sentimentos, que se misturam a tudo aquilo que já vivi e que sempre me vem à tona nessas horas.
Passada a placa de boas vindas, a ansiedade aumenta, já me sinto andando pelas ruas e avenidas, becos e esquinas, sem destino certo. Livre.
Encosto em uma calçada, olho ao redor, pouca agitação, talvez tenha parado longe do furor noturno desse lugar. Mesmo assim, começo a caminhar. Decido seguir um pequeno grupo de pessoas, parecem alegres. Certamente vão me guiar até onde tudo acontece por aqui.
Minhas botas tilintam na calçada. Gosto desse som. Simples e imponente. Fogos de artifício rasgam e abrilhantam o céu pouco estrelado dessa noite.
O grupo que me "guia", aos berros, se abraça e continua seu caminho a passos largos.
Chego até uma praça. Barracas e enfeites dão o tom da celebração. Uma festa local, um luxo do qual só as pequenas cidades podem se dar.
Me aproximo da agitação, me sento num banco, acendo um cigarro e aprecio a visão...
Nesses instantes parado apenas olhando, me dou conta de que a simplicidade às vezes é tudo... afinal, como mais ou menos diria um velho refrão, são nas pequenas coisas que encontramos a grande felicidade.
Tendemos a complicar o incomplicável e a ignorar o não-ignorável, como essas tais pequenas coisas das quais eu falei.
Essas pessoas definitivamente sabem como se divertir. Se divertir com pouco, com o simples, são umas das raras conhecedoras do verdadeiro significado de felicidade.

domingo, 3 de junho de 2007

crônicas de um homem só (parte 2)

mais uma manhã e esse odor de mofo misturado ao sutil aroma de mobiliário velho invadem minhas narinas. Já não me incomodo mais, já me habituei a esses motéis baratos de beira de estrada, já aceitei esse meu destino nômade e não faço nada para mudá-lo, admito. Me sinto bem assim, me sinto mais sincero comigo mesmo e justo por isso, tento entender qual a dificuldade dos homens em se aceitarem. Não sou nenhum acomodado, antes que me julgue mal, muito pelo contrário! me acho até ativo demais, só passei a ver o mundo de outra forma.
Me sinto nos bastidores do filme da vida e de lá o dirijo a minha conveniencia. É desse lado da linha vital que vejo os outros terem atitudes boas ou ruins, certas ou erradas, louváveis ou desprezíveis. Os vejo sofrendo, chorando,morrendo por causas infundadas, por não aceitarem sua condição de meros mortais suscetíveis às intempéries do acaso, vítimas do momento, orfãos da razão. Tornam patéticas suas existências, futilizam seus raciocínios, se degradam para tentar fazer a diferença... chamar a atenção, pobres crianças.
Não sou nenhum deus, nem um superior, tampouco um mito ou lenda, sou apenas eu mesmo e aprendi, com o passar dos poucos anos de vida que tenho, a quebrar a casca de perfeição que tentam nos fazer vestir. Aprendi a rir dos problemas e a retificar os erros com serenidade.
Talvez seja um sábio, um conhecedor de uma sabedoria única, uma sabedoria que afugenta as trevas da ignorância e que responde as minhas perguntas apenas, já me é o bastante.
Sei que enquanto vejo estes emaranhados de asfalto cravados nessas terras vermelhas e áridas, alguém está tornando-a inconsistente e vazia.
Um brinde as dores do mundo! aos pobres e infelizes e a sua medíocre existência.

domingo, 27 de maio de 2007

crônicas de um homem só

a cidade grande... um cenário fabuloso... diria magnífico, mesmo tão cheia de defeitos, ainda consegue me fascinar... reluzentes fachos de luz vindos dos letreiros percorrem meu rosto. O fim da linha está próximo e, por mais uma noite vago pelas ruas... sem rumo, sem saber aonde ir. Apenas ando e deixo os espíritos urbanos me conduzirem para algum lugar, algum canto onde eu possa me encontrar ou onde possa simplesmente admirar a infinitude desse lugar e o vazio que insiste em me seguir.
Nem o frio dessa noite vai atrapalhar meus planos. Coloco a mão no bolso e tiro o penúltimo cigarro do maço, sei que fumar faz mal, mas eu vou morrer mesmo... você não fuma? parabéns vai morrer saudável! A cada tragada, aprecio a paisagem e então decido entrar num restaurante. Uma bela decoração, excelente disposição das mesas, rostos felizes e uma música ambiente convidativa... enfim, não pude resistir. o hostess me conduz a uma mesa vaga, peço uma dose de whisky e começo a me perguntar sobre o que essas pessoas celebram?
a felicidade? a vida? a infelicidade alheia? Não importa! queria ler mentes, sentir as sensações dos outros, nem que fosse por alguns momentos. Me sinto bem analisando os outros, já que uma auto-análise me deixaria louco comigo mesmo, não iria gostar da visão e certamente aprofundaria mais ainda a sensação de ser um estranho até pra mim. Tão complexo e tão normal. O whisky acaba e com ele minha noite, levanto-me, deixo o pagamento sobre a mesa, saio do restaurante e me mantenho andando, rumo ao nada ou aonde quer que a noite permita.